#003 - Apocalypto

Apocalypto
Título: Apocalypto
Género: Acção, Aventura, Drama
MPAA: Rated R for sequences of graphic violence and disturbing images.
Língua: Maia
País: EUA
Ano: 2007
Site Oficial: www.apocalypto.aurum.es

Mais um filme, mais uma opinião. Eu assisti a este filme no início da semana, não escrevi mais cedo porque me foi impossível.

Quanto o filme inicia, deparamo-nos com um cenário indigena, bastante bem construído… no meio da floresta. A história começa com uma caçada típica do povo índio. Na realidade, fiquei bastante espantado com os utensílios usados para efectuar essa mesma caçada.
Algo que me surpreendeu bastante pela positiva, assim que as personagens começaram a interagir, foi a língua! Espantosamente não falavam inglês. Isto, porque existem filmes que não são falados na língua nativa do povo (como exemplo, Memórias de uma Gueixa falado em Inglês), o que demonstra falta de pesquisa e um pouco de falta de dedicação a detalhes importantes. Nesse sentido, este filme, de facto, surpreendeu-me pela positiva. Por outro lado, não tenho a certeza de até que ponto é que a articulação das frases, na vida real, é tão complexa como nos foi mostrado. Pelo menos, as legendas em português, na maioria, mostravam frases bastante correctas do ponto de vista gramatical e, tinham um número vasto de vocábulos, inclusivé, vocábulos apenas usados à pouco tempo pelos países desenvolvidos. Foi algo que, sinceramente, achei estranho, mas não foi mal maior.

Algo que me alertou os ouvidos e os olhos foi, de facto, os surpreendentes nomes dos índios… Coisas como “Pata-Jaguar” ou “Tartarugas-Corre”, são de deveras nomes bem originais que, gostava de investigar até que ponto corresponde ao uso real por estes povos.

A construção de todo o cenário está bastante bem feita, existe uma enorme diversifidade de paisagens e momentos, o que é bastante bom. No que toca a introduzir-nos no mundo Maia, este filme consegue-o. Desde os cenários, com todos os artefactos e diferenças entre pessoas, as tatuagens, os adereços no corpo e tudo mais. Daqui chegamos às crenças e, não deixa de ser interessante, ver o modo como muitas coisas são interpretadas por outros povos, como os eclipses, a consideração de que o medo é uma doença… entre outros. Por fim, existe algo que está mal construído e que é pena… o tempo. Tudo começa durante uma tarde de caça, existe cenas nocturnas e o ataque dá-se logo pela manhã. Nós assistimos a todo o desenrolar da caminhada do povo “caçado” durante um dia, chegam ao local de sacríficio lentamente pela tarde (nota-se pela posição do sol no céu). Aquando da fuga, “Pata-Jaguar” corre sem parar, voltando para trás e demora o resto da tarde, a noite e metade do dia seguinte a chegar de volta ao acampamento onde sempre viveu. Outra falha observável grave, é que para além de ser impossível haver eclipses durante a Lua Cheia, o Eclipse passou do “nada” a um Eclipse Total e depois a um “nada” em cerca de poucos minutos. A realidade é que um eclipse demora cerca de poucas horas desde o primeiro contacto ao último contacto e normalmente a totalidade dura alguns minutos. A história não faz com que a acção decorra em 3 horas em formato “cortado”, mas sim, que decorra continuamente em 3 minutos, o que torna o eclipse irreal. Mas não deixa de ser engraçado eles saberem quando iria acontecer o eclipse.

Outro problema do filme está na mulher do “Pata-Jaguar”. Para além de ter dado enormes quedas de barriga para baixo, não perdeu o bébe de que estava grávida… Depois, quando teve o filho dentro de água, este saiu como uma espécie de míssil durante o parto. Por outro lado, a água do poço subia, mas ninguém se lembrou que eles podiam tentar “boiar” e acompanhar a subida da água, não estavam presos a nada. Por fim, aqui o tempo falha novamente… Em menos de nada o poço enche e chega ao pescoço da rapariga. Por fim esta vê o marido, este ainda tem que ir batalhar, quando volta a água ainda está pelo mesmo nível e ela tem mais um filho nas mãos.

Com isto tudo, não deixa de ser um filme bastante bom, com as suas falhas, mas que não deixa de ter a sua graça e o seu interesse, nem que seja pelo facto de se conhecer um pouco mais os hábitos do povo índio. E mostra-se, mais uma vez, que os sacríficios de sangue são inúteis para mudar a Mãe-Natureza.

Daniel Bento

PS: Quando o “homem-grande” sofria de partidas dos companheiros da aldeia, não deixou de ser cómico reparar que a tentativa de ter filhos para ele (usando as ervas mágicas), acabou por o magoar a ele e a cara da mulher… isto deixa-me em dúvida sobre o método de pocriação deste povo.

PS2: Esta avaliação foi feita de acordo com o que vi no filme, não tenho qualquer conhecimento histórico profundo da vida índigena e dos Maias. A opinião baseia-se apenas nos factos retirados da história do filme.

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