#026 - Notícias no Jornal
Ora bem… Estes últimos dias tenho visto alguns títulos nos jornais por aí que, me deixam um tanto ou quanto confuso. Uma delas está relacionada com o facto dos professores serem pressionados para dar boas notas. A outra com um dito microchip de detecção de crianças. Existem algumas outras que quero também falar como, por exemplo, influências da Internet na vida das pessoas.
Em qualquer uma das notícias, tenho uma opinião um tanto ou quanto pequena, dado que, só mesmo a última é que vi o conteúdo. As outras, pelos títulos pareceram-me logo descabidas.
Começando pelos professores. Gostava de saber, afinal, quem no mundo é professor. Se são, os que mandam nos professores ou, se são, os próprios professores. Um aluno, vai para a escola para aprender e ter uma avaliação que o colocará no mundo do trabalho. Terá uma avaliação de acordo com o seu desempenho. Além disso, é uma forma de haver incentivo para que continuem ou entendam que precisam melhorar. Sim, é certo que também há o desincentivo, mas passar um aluno só por passar ou, dar-lhes boas notas só por dar é… também uma maneira de desvalorizar uma situação. Um aluno quando tem uma boa nota, deve sentir que a tem, porque na realidade conseguiu lá chegar. Um professor que comece a dar boas notas a todos, desvaloriza o trabalho de uns e a exagera no trabalho de outros. Além do mais, temos que perceber que, as notas são um método de adaptar um aluno às possibilidades que tem. Se este começar a frequentar um nível de escolaridade, ou trabalho, onde esperavam muito mais dele, haverá uma quebra significativa. Por outro lado, penso que não são os professores que devem dar melhores notas. Devia ser criado um método de consciencializar os alunos que, não são as notas que os definem como piores ou melhores pessoas, como “burros” ou “inteligentes”. Mas são as notas que, os fazem descobrir em que áreas são melhores. Um aluno, muitas vezes, frente a um fracasso, desvaloriza-se e reprime-se em relação a si mesmo e à sociedade que o envolve. Isto porque, existe muito o pensamento de que quando melhores notas um aluno tiver, mais inteligente é… quando muitas vezes não é a realidade. É verdade sim que, existem pessoas mais inteligentes que outras, mas não são aqueles números que o vão dizer. Os números são um método de avaliar a capacidade do aluno em seguir para a frente naquele pedaço de tempo da sua vida. Mas não sendo os números o factor determinístico da inteligência, era bom que os alunos sentissem as notas que realmente merecem… e não uns pós acima e não uns pós abaixo. E claro… algo importante, que sim, cabe aos professores, deixarem a conversa “da treta” que é “os 20’s são para deuses e os 19’s para os professores…”
Passando agora aos microchip, sinceramente, acho que é uma atitude super possessiva de qualquer pai. Uma vez havendo implantes como estes, será um pouco como um animal de estimação. Consegue-se fazer controlo de uma vida de uma pessoa. Há uns anos, quando os telemóveis chegaram ao mercado, os jovens adolescentes andavam com telemóveis (desnecessariamente), muitos porque achavam cool e na moda, outros porque obrigados. A verdade é que os pais tomaram posse desse uso para abusar da sua privacidade. Lembro-me de várias reportagens em que adolescentes se queixavam, dizendo que os pais telefonavam todos os intervalos das aulas para saber onde eles estavam (lembro-me de um que teve problemas por não atender quando estava na casa-de-banho). Com a utilização de microchips vai ser a mesma coisa. É verdade, as crianças devem ser protegidas, mas sim, com uma participação activa na vida deles, não com implantes que a controlem. Com implantes, pode-se deixar a criança ir brincar para o pátio porque, se ela se lembrar de ir a casa da amiga, já não precisa de vir a casa pedir aos pais (um motivo para participar nas decisões familiares), dado que, os pais vêem ou conseguem arranjar modo de saber onde ela está rapidamente. Simplesmente não acredito que, os pais peçam um sistema destes, apenas e somente para ser usado em caso de emergência. Na época dos telemóveis argumentaram o mesmo e no fim, o controlo tomou posse. Além disso, sistemas de controlo automatizado, são uma forma prática de colocar a responsabilidade em entidades externas e retirar as culpas do próprio peso. Retirar a responsabilidade que se tem como pais e, como amigos das crianças. A verdade é que, quando li esta notícia, lembrei-me logo dos implantes em animais de estimação… serão as crianças animais de estimação? Não terão os adolescentes direito a exigir que os pais, também, tenham implantes para que, quando se lembram de ir para a tasca ou para a cabeleireira em vez de tomar conta deles em casa, eles possam saber logo? E não receberem desculpas como “Estive a trabalhar até mais tarde porque precisamos de dinheiro…”.
Por fim, a Internet… Uma vez que acho incorrecto este tipo de “propaganda”, não vou falar detalhadamente de acontecimentos, não quero de modo algum que alguém se “veja” em algum caso e se sinta incomodado por verem os textos a circular. Simplesmente vou dar a minha opinião sobre a Internet, de um modo breve. Isto porque tenho um artigo extenso traçado de há uma semana, sobre este mesmo assunto. Existe uma noção errada do que é a tecnologia. Existe uma noção errada do que é viver e existe uma noção errada do que é conjugar as coisas. Viver digo já que não sei o que é, já me perguntei, mas é uma pergunta que ninguém sabe responder ao certo. Agora a tecnologia é um conjunto de técnicas e ferramentas, mas certamente não é a vida. Do mesmo modo a conjunção tem elementos dos dois, logo, se a vida é imprevisível, a conjunção também o é. Não só com a Internet, é bastante comum, assistirmos à culpabilização dos meios por determinadas acções. Se o facto de haver tecnologia para mandar um míssil faz surgir pessoas a mandar misseis então, culpa-se o os criadores e não quem, na realidade, lançou o míssil. Se há serviços na Internet para o uso de todos e, corre qualquer coisa mal, culpabiliza-se a invenção da Internet e culpabiliza-se as companhias que criaram o serviço. Isto será justo? Não. Os recursos que criamos são abertos, as pessoas dão-lhes o uso que querem. Quando algo ocorre, é necessário tomar consciência de diversos factores que o provocaram e não os meios que se utilizaram. Se atiramos uma garrafa à cabeça de alguém, não nos devemos perguntar porque atiramos a garrafa, mas sim porque agredimos a pessoa à nossa frente (por vezes, as pessoas costumam dizer “neste caso”… “Desculpa, se não tivesse ali a garrafa…”. A culpa foi da garrafa? Não… Porque não pensar “Desculpa, agi mal em querer agredir-te”). São comportamentos bastante comuns no dia a dia. Agora… são a Internet, os Jogos, a Televisão, a Música, responsáveis pelo que acontece às pessoas? Não! As coisas não têm responsabilidades, mas as pessoas sim. Serão as pessoas que as fazem responsáveis? Não! Os criadores fazem-nas a pensar no uso generalizado, pensam em todos. Além disso, todos estes meios têm Avisos de Alerta sobre o conteúdo e Políticas de Privacidade, só não lê, quem não quer. Agora, restam-nos duas classes. Os utilizadores e os não utilizadores. Aqui, assisto a algo muito grave. Oiço e leio, constantemente, pais afirmar “Nós não tivemos nada, damos tudo aos nossos filhos, é o que dá”. Isso só mostra que estão a por, mais uma vez, a culpa em alguém que não eles. Mesmo que digam “nós fomos os culpados porque não tivemos nada”, isto é uma frase que leva-nos directamente aos pais dos pais. As pessoas não sabem distinguir entre “proibição total”, “liberdade total” ou “participação activa e ajuda”. Estas ou, pensam que protegem proibindo tudo ou, pensam que protegem ao deixar que os filhos façam o que quiserem. No fim, falha uma coisa, a comunicação e a presença. Nós somos muito mais complexos que outros animais e, os outros animais “gastam” muito mais tempo a educar os filhos que nós. Uma mãe leoa não abandona os filhos até aprenderem a caçar, mas também não controla tudo, deixa-os brincar e explorar… ensina-os as regras de optimização da vida. Nós temos um nível de complexidade muito, mas muito maior e não damos qualquer tempo à geração mais nova. Quantos pais, hoje, passeiam com os filhos sem discutir e ouvem o que os filhos querem dizer? Quantos pais agem com as crianças do modo que devem agir perante um filho e não como “outra pessoa qualquer”? Quantos é que tentam compreender a evolução da mentalidade do mais novo? E quantos a acompanham? É lógico que as pessoas procurem outros recursos… as influências são compensações do que se tem falta. Uma pessoa deixa-se afectar por determinada influência, quando está com alguma necessidade que a deixa vulnerável. Nisto, os pais são culpados? Não! As crianças são culpadas? Não! Não há culpas, há atitudes que podiam melhorar. Há falta de aprendizagem e falta de adaptação ao novo mundo que, surge de dia para dia!
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You’re currently reading “#026 - Notícias no Jornal,” an entry on O pequeno diário de Daniel Bento
- Published:
- 11.21.07 / 5pm
- Category:
- Sociedade







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