#034 - Uma classe social abstracta - Os pedintes!
Mendigos… já passa uns dias que pensei num artigo sobre este assunto, sobre o modo como vejo algumas (não todas) as coisas. Mas, para dizer a verdade, deu-me mais vontade de escrever ontem, depois de passar, mais uma vez, pelas noites nocturnas e ver mendigos dormirem nas paragens, entre outros sítios. Já estou habituado a isto, já por aqui ando há quatro anos, mas é inevitável, quando se é de algum modo sensível a questões sociais, não pensar “um bocadinho” na questão.
Existe uma grande diferença entre um mendigo e um pedinte. Por outro lado existem duas categorias de pedintes, os activos e os passivos que por sua vez também estão divididas. Os pedintes agressivos e, os pedintes pacíficos na secção dos activos. Nos passivos encontramos os melancólicos e, muitas vezes, as farsas.
Na minha opinião, os mendigos acabam por ser pessoas nada sociais (no sentido em que têm dificuldade em dar-se com alguém, não que sejam antipáticos, mas claro, é possível sempre notar alguma revolta) que, de alguma forma ficaram falidas e muitas das vezes têm orgulho de mais para pedir ajuda a qualquer pessoa na rua. Geralmente estes, apesar de dormirem na rua ou à porta, tentam apoiar-se em instituições de apoio. Claro que acredito também, que existam muitos que não fazem lá grande coisa por melhorar a vida. Os mendigos são “lobos solitários” numa sociedade cheia de vida, vivem em mundos à parte, muitas das vezes nem têm noção da realidade e deixam-se viver apenas. Mesmo com ajuda institucional, não conseguem, de certa forma, progredir na vida.
Por outro lado, os pedintes são um caso muito caricato. Existem, na realidade, pedintes de todas as classes sociais, das mais baixas às mais altas. Temos pedintes que, à força toda, querem que a população os ajude, sem justificação aparente. Simplesmente acham que o dever cívico de outras pessoas é ajudá-los. Aqui encontramos os pedintes que eu coloco na categoria de “activos”, dado que, são estes que consecutivamente pedem e pedem… mesmo tendo consciência que começam a irritar uma população que já de si tem pouco dinheiro. Existem variados casos de pedintes que para além de pedir ainda maltratam, mostram uma revolta enorme para com o mundo e, principalmente, para com a sociedade. Mas que, apesar do seu orgulho ser tão elevado que não aceitam um não como resposta, não conseguem ser orgulhosos o suficiente para procurar outra forma de adquirir métodos de viver. Geralmente, também, são pessoas que sentem pressões sociais enormes, são pessoas exigentes e muitas vezes desesperados. Conseguindo mentir mal, conseguindo perder-se e às vezes magoar pessoas. Apesar disto, também existem pedintes activos, mas que são pacíficos. Quase que pedem numa de “eu não preciso, mas dá jeito”. Por vezes, sinto que essas pessoas têm já, grandes, ajudas financeiras, mas que por hábito da vida, continuam a pedir. Mas não se torna uma necessidade urgente de ultrapassar. Ainda que, muitas das vezes, inventam histórias que não lembram a ninguém, não se mostram tão desesperadas e mostram-se mais compreensivas. Existindo muitos casos que, até tentam ser simpáticos numa forma de pedir desculpa pelo incómodo.
Nos pedintes passivos, temos diversos casos completamente diferentes. Temos os que não podem fazer muito, mas que não se sentem capazes de partir à luta do mundo e esperam que o dinheiro/mantimento, chegue até eles. São silenciosos, pouco sociais, mas costumam dar um sorriso quando lhes damos alguma coisa. Do que observo, penso que é mais nesta categoria que, se é pedinte e mendigo. Isto porque, estas pessoas ao contrário dos pedintes anteriores, demonstram viver mesmo sozinhas e perdidas no mundo. São estas que, muita vez demonstram não ter um tecto para dormir. O abandono da sociedade faz delas melancólicas e pouco activas… perdendo quase a vontade toda de interagir com o mundo… deixando-se ficar dia após dia esperando por uns trocos ou uma sandes. Numa vertente completamente diferente, temos as farsas. Por vezes instituições falsas, actos religiosos, entre outras formas de “cativar” a sociedade a doar dinheiro. Havendo imensos casos em que ganham fortunas e, depois no fim, é para proveito próprio. Geralmente, cativam as pessoas a doar para algo bom, um acto de solidariedade e falsificam casos até a pessoa sair enganada e descartar dinheiro. Existe vários casos em que só aceitam “uma mínima” quantia, o que faz com que a pessoa acabe por dar mais do que pensava dar.
A conclusão que tiro, é que, tudo isto faz que as pessoas que realmente necessitam de alguma ajuda da comunidade, acabam por ficar ocultas numa realidade que não lhes pertence. Ficam misturadas com pessoas, muita vez (desculpem a expressão) preguiçosas ou com falta de carácter. Ficam confundidas como “a parte má” da sociedade, quando muitas vezes, existem mendigos que são excelentes pessoas, mas que não têm oportunidades! Oportunidades essas, que muitas vezes vão para destinos que não deviam…
Daniel Bento
PS: Ainda me pergunto, onde está a caridade das Igrejas que, tanto aclamam à ajuda social, e deixam dormir inúmeros mendigos à porta dos edifícios (Igrejas, Capelas) e, não lhes abrem a porta para dormirem, pelo menos “tapados” do frio…
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- Published:
- 11.26.07 / 3pm
- Category:
- Sociedade







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