#044 - Qualidade, Característica, Defeito

Uma das virtudes de ser “algo” que existe é, a posse de características que definem “esse algo” como ser. As características que observamos sobre algo, são coisas que, apesar de serem geralmente conceitos muito abstractos, necessitam de ter uma verdade factual associada. Uma característica não pode existir se, não for observada ou de alguma maneira “representada” pelo ser. Esta observação, não é de modo algum obrigatoriamente algo a ser visto “com os olhos”, as características transmitem-se de diversas maneiras e são observadas também de diversas maneiras.

Dentro do mundo humano, também, existe a predominância da caracterização. Aliás, uma das coisas que faz a sociedade girar como um todo é a caracterização de cada indivíduo que, faz parte de determinados conjuntos de pessoas. Nós aproxima-mo-nos mais ou menos de alguém através das suas características explicitas, ou seja, daquelas que conseguimos de alguma maneira receber.

É frequente, também, falar-se de qualidades e defeitos associadas a um elemento. Qualidades e defeitos não são mais que uma caracterização da própria característica, sendo esta, uma caracterização qualitativa. A existência de qualidades e/ou defeitos, já não está associada directamente ao elemento a quem pertencem, mas sim a uma sociedade onde esse elemento está contido e aos entes que se relacionam com ele. Claramente falando, um indivíduo é definido por um conjunto de características, a sociedade caracteriza cada uma delas como sendo, uma qualidade ou defeito ou, de um modo mais “neutro”, caracteriza-se também uma característica como sendo “uma característica”. Isto é, aplica-se o conceito de característica na própria caracterização. Como já ficou claro de entender, uma qualidade ou defeito é algo subjectivo, dado que, define-se como qualidade algo que hipoteticamente será “bom” ou, analogamente para um defeito. O facto aqui é que as qualidades ou defeitos demonstram, de algum modo, o quanto essa característica é compatível com o bom caminho pessoal e social. Mas aqui, infelizmente surge o problema paradoxal do conceito de “bom”. Apesar de teoricamente, “bom” ser um apontador para a evolução progressiva e eficiente de uma sociedade, surge que, na prática, como sendo nós mesmos a viver, é difícil ter uma noção 100% correcta do que influência eficientemente a nossa evolução. Existem pequenos contra-balanços, devido à enorme diversidade que o pensamento livre nos permite e, isso de algum modo, torna o mundo heterogéneo e, mais difícil de analisar dentro do espectro interno.

Sendo assim, ter uma qualidade ou um defeito não implica de modo algum que esta caracterização seja universal, a característica avaliada é, sim, algo universal, mas a sua caracterização deixa de o ser desde o momento em que estamos a lidar com algo que funciona a nível muito abstracto e subjectivo, o pensamento. Por outro lado, a característica pode ser universal, mas a sua reflexão em qualquer sociedade em qualquer parte do globo/universo não é obrigatoriamente igual o que, não compromete, de modo algum, o conceito da própria característica.

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