#063 - Abstracção Social

Olá! Bem, um olá em grande porque, de facto, já estou fora do blogue há bastante tempo! Devo as minhas sinceras desculpas pelo tempo de ausência!

Um aparte, ontem comprei o DVD Elements of Life Tour 2007/2008 by DJ Tiësto. Para variar, é formidável. Faz-me lembrar a última vez que fui ao Porto… ver DJ Tiesto. No evento que a Sagres organizou na Ribeira, dedicado ao melhor DJ do Mundo. De facto aquele concerto em Portugal foi um “extra” à Tour do Elements of Life, segundo o que li sobre o evento claro. A única coisa que sei é que me diverti bastante e dancei bastante e não, ao contrário do que toda a gente dizia, o ambiente não foi mau.

Saindo do aparte para música, gostava de falar do “título”… Ou se calhar foi o conteúdo que me fez criar o título? Conversa filosófica.

A minha ideia é simples… até que ponto conseguimos ser nós tão abstractos em coisas exactas (ciências exactas, por exemplo) e tão abstractos em coisas não deterministicas (como as ciências não sociais) que conseguimos juntar ambas numa realidade “abstracta”, mas que faça sentido. Não estou, de modo algum, a afirmar que essa junção existe, apenas estou a partir de um ponto filosófico… e não é mais do que isso, filosofia pura, ou não. Talvez o meu interesse maior neste pequeno estrato de texto, não é, de modo algum afirmar essa junção, mas de algum modo levar a pensar no quanto pode ser irrealistíco pensar que tal associação directa possa acontecer.

Tenhamos em mente a capacidade do Homem associar ideias e, raciocinar e, de comunicar (algo fundamental no conhecimento). Tenhamos em mente a capacidade da Máquina ler informação e juntá-la de modo já pré-concebido. Por fim, consideremos uma linguagem capaz de relacionar ambas (não, não falo da Matemática). Se reparar-mos, teremos uma ideia muito parecida com a grande ideia da actualidade: inteligência humana versus inteligência artificial.

Para começar, há logo um factor que muda drásticamente a evolução de ambas. A comunicação. Se tivermos uma linguagem relacional entre Máquina-Homem é fácil ver que estamos perante um beco sem saída. A linguagem máquina (actualmente binários) é demasiado restrictiva nesse aspecto. Obdece a regras muito rígidas. O que vemos consecutivamente é a criação de métodos (linguagens, compiladores etc) que permitam ter uma linguagem mais “acessível” para comunicar com a máquina, mas no fim, esta linguagem é sempre transformada numa linguagem de pura instrução. Tal como um amigo meu, o Rui, me deu a conhecer, na realidade, toda a linguagem computacional pode-se praticamente dizer que é interpretada (geralmente há a destinção entre interpretada e compilada), isto porque, no processador é tudo feito através de circuitos lógicos, só as instruções de mudança de estado é que são na realidade uma compilação. Por outro lado, a nossa mente trabalha de um método totalmente diferente, a nossa linguagem é expansível, não somos mínimamente rigídos naquilo que acolhemos como linguagem, temos agora padrões que nos permitem comunicar com mais pessoas, mas… a capacidade de adaptação é autónoma. Numa máquina isto não acontece.

Logo a seguir temos a capacidade completament distinta de associar ideias. Um computador grava informação e lê e, finalmente, processa. Nós fazêmo-lo constantemente sem parar… E não precisamos obrigatoriamente de correr a informação toda… ela está sempre acessível… (não me perguntem como)…

O que penso é que, será muito complicado implementar toda uma capacidade biológica, a máquina da vida, para trabalhar autonamente… sem precisar de mão alheia. Será de algo modo complicado, dar abstração a um computador, dar criatividade e dar capacidades sociais que, nós temos a prova, são importantes para a evolução da mente!

Bons pensamentos e boa comunicação,

Daniel Bento!

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